Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac – Traduções comparadas, 1ª parte

As Ilusões Perdidas, um dos principais romances da Comédia Humana de Balzac, têm seis traduções brasileiras. Todas entraram nesta comparação, além de uma antiga tradução portuguesa que foi editada em formato e-book este ano e está disponível no mercado brasileiro. São elas:

  • Beldemónio (Eduardo de Barros Lobo), 1888 — Tradução portuguesa editada pela KTTK em formato e-book.
  • Silvia Mendes Cajado, 1945 — Teve apenas duas edições, a última em 1960, pela Livraria Martins Editôra.
  • Ernesto Pelanda e Mário Quintana, 1951 — Pelanda traduziu as duas primeiras partes e Quintana a última. É a tradução mais conhecida, foi lançada pela Editora Globo como parte da edição completa da Comédia Humana, coordenada por Paulo Rónai, e teve muitas reedições. Foi também licenciada para outras editoras: Abril Cultural (em 1978 e 1981; atenção, a edição de 2010 da Coleção Clássicos Abril não traz esta tradução, mas a de Leila de Aguiar Costa), Círculo do Livro e Nova Cultural. Está atualmente na terceira edição pela Editora Globo, disponível em capa dura e e-book.
  • Maria Lúcia Autran Dourado, 1994 — editada pela Ediouro, em formato de bolso.
  • Ivone C. Benedetti, 2007 — pela editora L&PM, em formato de bolso e e-book.
  • Leila de Aguiar Costa, 2007 — lançada pela Estação Liberdade e licenciada em 2010 para a Coleção Clássicos Abril, em dois volumes.
  • Rosa Freire D’Aguiar, 2011 — pela editora Penguin, em capa comum e e-book.

Primeira parte – Os Dois Poetas

 

Texto original

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Texto Original

Tradução Beldemónio (Eduardo de Barros Lobo)

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Tradução Beldemónio

Tradução Sílvia Mendes Cajado

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Tradução Cajado

Tradução Ernesto Pelanda

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Tradução Pelanda

Tradução Maria Lúcia Autran Dourado

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Tradução Dourado

Tradução Ivone C. Benedetti

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Tradução Benedetti

Tradução Leila de Aguiar Costa

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Tradução Costa

Tradução Rosa Freire D’Aguiar

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Tradução D’Aguiar

  • Mesmo olhando apenas este primeiro parágrafo, a versão de Beldemónio pode já nos parecer com um sabor “antiquado”, como é de se esperar de uma tradução de 1888. Acho que é por causa da posição, para nós incomum, de algumas palavras: “…ainda o prelo Stanhope e os rolos de dar tinta não funcionavam…”; “…que bom é mencionar…”
  • A tradução de D’Aguiar faz o trabalho dos impressores parecer mais rude do que nas outras traduções, esfregando e batendo as almofadas de couro: “A tipografia atrasada ainda empregava as almofadas de couro esfregadas na tinta, que um dos impressores batia nos caracteres tipográficos.”
  • “Malgré la spécialité qui la met en rapport avec la typographie parisienne…” — mesmo lendo todas as traduções achei difícil entender o que quer dizer esta frase. Eu não sei francês, mas conversando com quem sabe cheguei à conclusão de que a solução de Beldemónio (“… a especialidade que a equipara à tipografia parisiense…”) é a mais próxima do sentido original. Pelo que conseguiu alcançar o meu entendimento, a frase quer dizer que a tipografia, sendo uma das especialidades da pequena cidade de Angoulême, leva esta a se aproximar de algum modo da grande Paris.
  • “Les dévorantes presses mécaniques…” — nesta frase, chamam a atenção as diferenças das traduções de Cajado e de Benedetti em comparação com as outras:
    • Todos os outros tradutores enfatizam o grau de esquecimento a que foram relegados aqueles mecanismos antiquados utilizando a fórmula tal/que ou tão/que (fizeram a tal ponto esquecer/que; fizeram hoje tão completamente esquecido/que; fizeram hoje esquecer de tal maneira/que; etc.), o que significa dizer que em razão do tamanho do esquecimento, por assim dizer, era preciso mencionar aqueles instrumentos. Ou seja, se o esquecimento não tivesse sido tão completo, se uma parte das pessoas ainda se lembrasse desse tipo de mecanismo, não seria necessário descrevê-lo.
    • Benedetti, por sua vez, apenas diz que aquele mecanismo foi relegado ao esquecimento, e que por isso cabe mencioná-lo. A diferença é pequena, mas existe.
    • Cajado, como Benedetti, não traduz a ênfase ao grau de esquecimento em que caiu aquele mecanismo antiquado e, além disso, não menciona as suas “imperfeições”. Mas o que achei que mudou mais o sentido da frase foi esse “mas faz-se mister…” —  O sentido original desta frase é algo como “ninguém se lembra mais dessa prensa velha, POR ISSO é que tenho que mencioná-la aqui, já que ela tem um papel nesta história”. Já o que a tradução de Cajado diz é mais ou menos “eu nem falaria dessa prensa velha, da qual ninguém mais se lembra, MAS eu tenho que mencioná-la porque ela tem um papel nesta história.”

Esta comparação continua, não deixe de conferir as próximas postagens!

Qual destas traduções lhe parece melhor? Responda aqui nos comentários!

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