Notas sobre a vida e as letras – Joseph Conrad

Eis um dos motivos para minha pouca atividade neste site nos últimos anos. Durante dois anos e meio estive empenhado na tarefa de traduzir “Notas sobre a vida e as letras”, de ninguém menos que Joseph Conrad, aquele mesmo cujo “Lord Jim” ensejou a criação deste blog. Desafio nada pequeno para uma primeira tradução, foi para mim uma verdadeira escola.

O livro acaba de ser publicado pela Editora Danúbio, e está à venda no site da editora e na Amazon. Segue a resenha da editora:

Visto por Otto Maria Carpeaux como “um dos maiores romancistas da literatura”, Joseph Conrad demonstra neste Notas sobre a Vida e as Letras que sua expressividade como ensaísta não deve nada a sua capacidade já celebrada como narrador.
Mais conhecido por seus romances como O coração das trevas e Lorde Jim, Joseph Conrad apresenta nesta obra uma face pouco conhecida do público: a de crítico literário e ensaísta. Mas não pense o leitor que se trata de uma obra menor. A mesma fina observação sobre o homem e a natureza demonstrada em suas histórias é empregada em Notas sobre a vida e as letras. Autores como Alphonse Daudet, Guy de Maupassant, Henry James e muitos outros são vistos à luz de sua sensibilidade artística e de seu senso aristocrático de antigo marinheiro que dão aos ensaios um acento bastante viril e arguto. Esse mesmo olhar se estende também aos acontecimentos políticos e sociais de seu tempo: o crescimento dos impérios Russo e Alemão, a partilha da Polônia, a 1.ª Guerra Mundial e até o naufrágio do Titanic, chegando a prever quase todos os desdobramentos históricos da primeira metade do século XX.

Uma das coisas de que mais gosto no livro é o bom humor, muitas vezes irônico, de Conrad. Algumas passagens são muito engraçadas. Deixo-os com uma delas, retirada do capítulo “A vida além-túmulo”:

Mas, enquanto isso, voltemos por um momento à minha observação inicial a respeito dos efeitos físicos de alguns livros comuns. Uns poucos (não necessariamente livros de versos) são melodiosos; a música que outros produzem quando lidos tem a desagradável vivacidade de um realejo; apenas uma vez topei com um que produzia um retinir de címbalos (e que não foi escrito por um humorista). Mas a variedade de ruídos que os livros podem emitir é infinita. Tenho um agora na minha estante, de um tipo aparentemente muito valioso, que, antes que eu consiga ler meia dúzia de linhas, começa a fazer um barulho igual ao de uma serra circular. Estou inconsolável; receio jamais conseguir descobrir do que é que ele trata, pois o zumbido encobre as palavras, e a cada tentativa sou inteiramente forçado a desistir antes mesmo de chegar ao final da página.

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